Rhania: Lígia
Razor: Nicholas
Murtun: Rafael
Manigold: Sérgio
Baskar: Thiago
Jerisse: NPC
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urante o último século, o continente viu as Guerras do Caos e das Almas assolarem o mundo dos mortais. Nesse período, a população de Ergoth aumentou com o influxo de refugiados. Dois desses grupos foram os elfos das nações caídas de Qualimori e Silvamori. Apesar de terem chegado em momentos diferentes, para os mortais de vida curta de Ergoth do Sul suas florestas pertencem aos elfos desde o tempo de seus avós. Com a recém-adquirida estabilidade adquirida com o fim da Guerra das Almas, Ergoth do Sul, sob a influência da civilização solamnica, voltou a prosperar. Isso levou ao aumento da população dos homens, naturalmente mais fecundo que os elfos. População maior requer mais terra, mais pasto e mais consumo de minério e madeira. Eventualmente os ergotianos começaram a avançar sobre a floresta em busca de recursos, especialmente na porção mais oriental de Ergoth do Sul, onde as cidades prosperavam mais rapidamente. Não demorou para escaramuças entre os elfos de Silvamori e os homens começarem a produzir cadáveres ao invés de sustos. Uma guerra plena ameaçava eclodir na ilha.
Foi então os que elfos de Qualimori, menos temperamentais que seus primos, decidiram intervir. Após semanas de negociações no Castelo Eastwatch entre os silvanesti de Silvamori e representantes do senado ergotiano, assessorados pelos qualinesti de Qualimori e os Cavaleiros de Solamnia, um acordo foi definido para ser fechado em alguns dias, após certos eventos serem realizados. Primeiro, um antigo diadema mágico até então de posse dos ergotianos seria levado por uma princesa de Silvamori até o sul da ilha, onde embarcariam num navio solamnico destinado a Gwynned, a capital de Ergoth do Norte. Lá, o diadema chamado Diadema dos Sonhos seguiria com silvanesti e qualinesti até Silvamori, e a princesa Eldara de Solimori, seguiria de navio, com sua delegação protegida por solâmnicos, até Gwynned, onde passaria sete anos aprendendo a língua e os costumes ergotianos — e há rumores de que se casaria com um jovem senador de Ergoth.
Como descendentes de conhecidos heróis da Guerra do Caos, nossos aventureiros seguiam viagem coincidentemente pela mesma estrada que a comitiva seguiria. Foram contratados por Bozul, o dignitário qualinesti da caravana diplomática, para escoltarem-nos até o porto secreto à Markan Bay.

Como descendentes de conhecidos heróis da Guerra do Caos, nossos aventureiros seguiam viagem coincidentemente pela mesma estrada que a comitiva seguiria. Foram contratados por Bozul, o dignitário qualinesti da caravana diplomática, para escoltarem-nos até o porto secreto de Markan Bay.
Durante o caminho, com uma súbita chuva de verão tendo assolado a estrada e a deixado enlameada, os heróis começaram a desconfiar que a caravana que vinha algumas dezenas de metros atrás provavelmente os contratou mais para ficarem de olho neles do que realmente precisar de escolta. O dia continuava nublado, com uma chuva pendurada no horizonte e pronta para cair novamente a qualquer momento. Enquanto todos conversavam e reclamavam da terrível umidade, Razor, o elfo qualinesti e arqueiro do grupo conversava com Raphael, ergotiano que na verdade fora treinado como cavaleiro solâmnico andante, sobre como era tocante que os solâmnicos tenham se preocupado em manter a paz entre Ergoth e Qualimori, quando ele notou um brilho entre os arbustos que margeavam a estrada à frente.
Treinados e experimentados em batalha, todos os membros do grupo foram alertados pelo elfo e continuaram sua conversa como se nada tivesse acontecido, enquanto que Razor, Baskar e Raphael, na traseira do grupo, sub-repticiamente escaparam pelas laterais da estrada, o arqueiro e o batedor pelo norte e o cavaleiro andante pelo sul.
Caminhando sem fazer nenhum som, como se fossem dois leões da montanha à cata da presa, Razor e Baskar aproximaram-se por detrás de um afloramento rochoso e puderam divisar com clareza o perigo à frente: quatro arqueiros elfos e quatro batedoras elfas, todos kagonesti, pintados para a guerra, espreitavam dos dois lados da estrada, obviamente prontos para emboscar a caravana. De seu ponto vantajoso no meio do mato, Razor também pôde notar que seu grupo continuava a caminhar com aparência tranqüila, mas já haviam sacado suas armas; não havia problema ali, mas mais ao sul: infelizmente seu colega Raphael não percebera que a posição do sol refletia em sua armadura do mesmo modo que refletiu nas armas dos kagonesti. Antes que ele pudesse sequer pensar em um meio de avisar Raphael que ele se encontrava visível entre as árvores e moitas enquanto tentava se aproximar, os elfos do lado sul da estrada o notaram, e dois deles, um arqueiro e uma batedora, saíram da formação e desapareceram na floresta esparsa que dominava aquela área, certamente com a intenção de interceptar o cavaleiro. Agora seu amigo estava por conta própria, no entanto, porque o restante do grupo já estava perto o suficiente da emboscada para agir.
E tudo o ocorreu no instante seguinte ao mesmo tempo. Quando os elfos se moveram para atacar, Jerisse lançou uma nuvem congelante sobre eles, prendendo cinco deles no lugar. A elfa não afetada pelo feitiço lançou-se na estrada para perceber que estava sozinha contra dois draconianos. Metros ao sul, Raphael viu-se assaltado subitamente pela kagonesti batedora. Usando uma espada em cada mão como se fosse um par de tesouras, a elfa atacava Raphael com fúria sobrenatural. Além de não conseguir uma abertura para atacar, Raphael se viu assolado por uma chuva de flechas vindas aparentemente do nada — o arqueiro que seguiu com a batedora atacada oculto no mato.
Com a maioria dos kagonesti imobilizados na estrada, e os guerreiros draconianos cuidando da elfa que dava combate, e Jerisse protegido atrás de uma grande rocha não muito longe, Razor saiu de sua posição e seguiu direto para o sul, decidido a ajudar seu amigo, enquanto que Baskar corria para terminar o serviço que o mágico começou. Mas o qualinesti não contava com outra batedora inimiga, oculta quando o combate começou, que deu a volta na grande pedra onde o mágico tentava se esconder, lançou-se furiosa sobre Jerisse e, num único e violento golpe, tingiu a superfície da rocha com o sangue do homem, que cambaleou para trás indefeso e incapaz de reagir. Preso entre a pedra que até então era sua proteção e uma elfa selvagem enfurecida, Jerisse desesperadamente vasculhou sua mente em busca de alguma magia que o salvasse. Mas o ataque da elfa o ferira muito mais do que imaginara: sacou sua varinha e disparou um raio de energia contra ela, que ricocheteou inofensivamente em uma de suas lâminas. Ofendida pelo contra-ataque, a elfa gritou algo em élfico e levantou suas armas, prontas para decapitar Jerisse.
Nesse instante um zumbido cortou o ar e uma mancha marrom roçou nos cabelos do mágico. No instante seguinte, a elfa caia para trás, as armas largadas, os olhos vidrados e a haste de uma flecha perfurando sua garganta, a ponta saindo pela nuca. Assim que Jerisse começou a entender do que acontecera, Razor surgiu ao seu lado, certificando-se de que estava bem.
— O que ela gritou? — Perguntou Jerisse, sem realmente olhar para Razor, enquanto o elfo verificava a extensão dos ferimentos do amigo. Seu olhar ainda estava colado na atacante que, nos estertores da morte, soltava um murmúrio engasgado pela boca inundada de sangue.
— Ela gritou “morra, humano maldito”, ou algo que o valha. O dialeto kagonesti é um pouco gutural, e eles não falam as palavras com clareza, realmente. Razor passara a olhar diretamente para o mágico, tendo se certificado de que ele não iria morrer.
Só quando a batedora kagonesti finalmente expirou Jerisse olhou para o qualinesti. E perguntou:
— Humano?
A pergunta carregava uma implicação ampla, mas Razor, acostumado com seu amigo de manto branco, entendeu o questionamento.
— Elfos de maneira geral acreditam que os homens usam a palavra “humano” para referirem-se apenas a si mesmos, e não às raças inteligentes originais, cada um por um motivo. Os kagonesti pensam que é um termo preconceituoso. Os silvanesti acreditam estar acima de qualquer classificação que os compare aos outros mortais. E os qualinesti... — Razor hesitou um pouco, ligeiramente envergonhado — os qualinesti acham que admitir que somos todos humanos nos tornaria iguais aos homens civilizados, aos nômdes, aos kagonesti...
— E aos ogros. — Jerisse completou, olhando intensamente para seu companheiro.
— E aos ogros, sim. — Razor suspirou profundamente, e então completou: — nem mesmo eu fico confortável com essa noção, caro mágico.
Jerisse sorriu e levantou uma sobrancelha para o elfo:
— Eu sei disso, amigo. Mas todo mundo é humano.
Um brado agressivo e retumbante surgiu atrás do arqueiro, interrompendo a conversa:
— Se eu fosse você, tomaria muito cuidado onde faz essas declarações heréticas, mágico. — Era Raphael que saía das folhagens, há poucos metros dos dois. Coberto de sujeira, com pedaços de mato enfiados nas juntas de sua armadura escura, ele parecia ter rolado uma colina abaixo. Com a mão esquerda, segurava o lado direito do torso. Se protegia alguma ferida ou se o próprio braço sofrera algum dano, Razor e Jerisse não puderam dizer. E foi o elfo quem perguntou primeiro:
— Está machucado?
— Nah. — O cavaleiro dispensou a preocupação com um abano da mão direita. — A ponta de uma flecha conseguiu entrar entre duas placas da armadura, mas parou numa costela. Vou sobreviver. E quanto ao mágico?
Razor olhou novamente para Jerisse, para onde sua armadura de couro estava rasgada em tiras. O emplasto de ervas medicinais que ele colocara na enorme ferida já havia secado e endurecido, formando uma bandagem natural que também servia de anestésico; Jerisse certamente não estava naquele instante sentindo mais dor do que se tivesse levado uma cotovelada, mas era melhor não contar a ele que a sensação era graças às plantas, e que quase morrera.
— Foi só um arranhão. — disse, voltando-se novamente para Raphael, tentando disfarçar a hesitação na voz. Certamente seu amigo de mantos brancos, desatento com era para assuntos comezinhos, não teria notado, mas Raphael sim, que olhou rapidamente da enorme mancha de sangue na pedra atrás do mágico de volta para o elfo. Entendendo, sorriu. Então disse:
— Ótimo! Então porque é que você ficou perdendo tempo com ele e não foi me ajudar? Eu fui emboscado por dois kagonesti ali atrás, sabia? — O soldado apontou por cima do ombro, com o dedão, os arbustos e as árvores atrás de si, e depois abriu os braços fingindo exasperação.
— Eu sabia que você daria conta de dois elfos, pare de reclamar. Vamos ver como Rhania, Manigold e Baskar lidaram com o restante deles.
— Muito facilmente, eu arriscaria! — Jerisse exclamou, indignado. — Com todos congelados como se uma nevasca sobrenatural tivesse se abatido sobre eles, até mesmo minha força física seria capaz de abatê-los.
— Pelo que vi — o arqueiro respondeu, rindo se soslaio para o mágico ofendido — nem todos foram paralisados. Você deixou uma escapar, e ela parecia ter bastante combate em si ainda, quando saí para salvar sua pele.
Jerisse pareceu realmente ofendido pela declaração de Razor, e Raphael achou muita graça disso, rindo e fazendo seu ferimento doer, enquanto seguiam de volta para a estrada. Giraram em seus calcanhares de modo que o mágico não visse a quantidade de seu próprio sangue que estava espalhada na rocha e ainda brilhava. Olhando novamente para a marca da violência contra o amigo, Raphael não pôde deixar e mirar em Jerisse, que quase perderam por conta de uma estratégia porcamente concebida. “Bem” ele pensou, resignado, “ele vai ficar muito dolorido quando pararmos para descansar e aquelas ervas do Razor perderem o efeito. Muito mesmo. Então todos conversaremos sobre estratégia.”
Na estrada, os dois draconianos e o homem já haviam cuidado de todos os kagonesti, exceto um arqueiro, que escapava dos dois maciços guerreiros como uma mosca que incomoda um búfalo. (O feitiço de Jerisse durara apenas alguns instantes, e alguns kagonesti conseguiram se libertar e dar combate.) Ao ver a cena, Jerisse suspirou exasperado, sacando novamente sua varinha e disparando um raio de energia contra o elfo fugidio. O disparo, certeiro, arrancou-lhe o arco da mão, que ele imediatamente trouxe para junto do corpo, obviamente sentindo toda a dor do projétil de força mágica. Sem hesitar, os dois draconianos aproveitam a oportunidade e subjugam o elfo.
Preso ao chão, a mão direita atordoada além de qualquer sensibilidade, e cercado por seis atacantes com olhares muito severos, todos voltados para ele, o elfo aceitou a derrota, e assentiu em contar quem eram e o que faziam. Mas antes que os heróis pudessem extrair qualquer informação, um grito vindo da caravana, estacionada dezenas de metros atrás, alcançou suas orelhas:
— Princesa Eldara! A princesa Eldara desapareceu!
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